O arminianismo clássico vai além da ideia de livre-arbítrio; ele afirma a depravação total, ou seja, que o homem está morto em seus pecados e é incapaz de buscar a Deus por si mesmo. A diferença crucial é a graça preveniente: uma influência do Espírito Santo que precede a conversão, libertando a vontade humana para que possamos aceitar ou rejeitar o convite do Evangelho. É uma teologia reformada. Não é ariana, nem liberal. Porém, ao contrário do calvinismo, o arminiano acredita que essa graça alcança todos para a salvação (Tt 2:11). Deus quer que todos sejam salvos (Ez 18:23; 18:32; 33:11; I Tm 2:3-4; II Pe 3:9).
Para mim, o arminianismo é muito mais coerente que o calvinismo. A visão calvinista da providência acaba tornando Deus o autor do pecado. Ora, se Deus preordena e decreta absolutamente tudo o que acontece, isso logicamente inclui o pecado. Mesmo que os calvinistas tentem se explicar através das "causas secundárias", o que alguém causa indiretamente ainda foi causado por essa pessoa.
A Confissão de Fé de Westminster e outras confissões calvinistas fazem um esforço enorme para afirmar que Deus decreta tudo e, ao mesmo tempo, não é o autor do pecado, mas falham em reconciliar essas duas ideias claramente contraditórias. Além disso, se cada ato humano foi determinado por um decreto eterno, a responsabilidade moral desaparece. Não faz sentido punir o homem por pecados que ele não tinha como evitar, já que Deus determinou que ele os cometeria. A Bíblia nos diz para evitar crenças contraditórias (I Tm 6:20), não para chamar a contradição de "mistério" e abraçá-la ou alegar que a contradição é meramente aparente sem apresentar qualquer solução para ela.