... Blues e rock dos anos 70, alguma MPB antiga, no início nos primeiros anos eu não notei nada mais estranho que o padrão de estranhice padrão de curso de humanas em que todo mundo é meio maluco de um jeito ou de outro no sentido de ser não convencional.
Com o tempo a coisa foi ficando estranha, nas conversas ele pedia a minha opinião sobre algum assunto e logo depois contradizia o que eu havia dito mesmo que não fizesse muito sentido, começou a reclamar que alguém que lê sobre biologia evolutiva, faz filosofia é progressista e ouve blues e rock não poderia ser cristão porque é contraditório porque cristianismo é caga regra, a amizade supostamente sobre música começou a ter uma dinâmica estranha, ele desfazia do que eu falava sobre música, seja falando sobre os estudos de etnomusicologia que provam a ligação da música do Sahel e o Blues que pra ele é uma mentira o blues teria nascido do apito do trem ouvido pelo negro e não tem nada de continuação de cultura da África Ocidental no Sul do Estados Unidos, seja ridicularizando quando falei que assim que entendi que as blue notes eram um tipo de microtonalismo me interessei por música microtonal, ele falou que microtom não existe e música microtonal é bobagem.Ele basicamente rejeitava minhas dicas musicais de blues e rock mas exigia que levasse à sério as dicas dele.Tem um fato estranho que na época não levei em consideração mas deveria ter me dado um alerta, em 2013 ou 2014 eu fiz um CD-R com mp3 da minha coleção particular com blues dos anos 20,30,40 blues acústicos de antes da eletrificação do gênero e blues com instrumentos que com a eletrificação caíram em desuso como o violino,o bandolim, o banjo além de formas de blues mais arcaicas como o fife and drums blues e as jug bands e string bands, eu na época achei que ele gostando de blues iria colocar o cd no computador e explorar as pastas, meses depois eu pergunto o que ele achou do cd, ele falou ah eu coloquei no carro, quando vou no supermercado ele toca parece uma rádio, enfim, zero interesse e zero respeito.Ele na verdade queria que eu validasse o som do violão dele que ele chama de blues,só que sempre achei o som dele uma porcaria,e ele me fazia escutar o violão dele em todos os encontros.
Pra encurtar a história no último encontro ele me chamou de um nada e um ninguém que não tem arte enquanto ele é um artista do blues, isso se deu porque eu tentei mostrar pra ele uma banda de rock psicodélico turco e ele surtou falou que não ia ouvir algo oriental que aquilo não faz sentido, falei que eu forço o ouvido a ouvir sons novos porque posso aprender a gostar de coisas novas e diferentes, ele faz um discurso em que fala que o oriente é um mundo à parte diferente e sem relação com o ocidente e quem é do ocidente não tem como entender o mundo do oriente e quem fala o oposto ou é burro ou é ingênuo, que bollywood faz filme de drama com canto e dança e só um indiano acha isso normal.
Falei então que apesar de viver falando em Mundo Dasein Ser-Aí ele era pobre em mundo e o mundo dele não se deixava afetar ,aí ele falou que sim é isso mesmo e tem que ser assim porque ele é artista, cultiva o blues a anos ,já eu sou um nada, um ninguém que por não ter compromisso com a arte pode se dar ao luxo de ouvir a música do mundo todo.
Que Amigão!