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Esse é um assunto delicado. Somente no Concilio do Vaticano II (1965) é que a Igreja Católica retirou as acusações contra os judeus de serem os assassinos de Cristo, ou deicídio. (assassinato de Deus de forma traduzida)

Algumas correntes dentro do protestantismo também usaram esse argumento ao longo das eras.

A execução de Jesus foi um ato do Império Romano, mas com a participação da elite religiosa judaica local.

Abraço.

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Foi o pessoal da extrema direita
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Essa é uma narrativa antiga, mas que simplifica os fatos com propósitos políticos específicos...

Jesus Cristo foi executado por crucificação... Que era um método de execução comum no Império Romano aplicado contra criminosos políticos condenados por rebeldia. Portanto, a execução foi uma ação do poder romano aplicada por um representante de Roma na Judeia, no caso Pôncio Pilatos.

É verdade que os evangelhos, mesmo o de Marcos que é o mais antigo, já enfatizam a co-responsabilidade das autoridades judaicas do Segundo Templo na crucificação de Jesus. E outros, como o de João, são até mais duros nesse quesito. Porém, é necessário esclarecer que os evangelhos são textos de caráter teológico, não são atas judiciais. Os evangelhos foram escritos algumas décadas após os eventos narrados, em aproximadamente 70 d.C. que não podem serem analisados isoladamente dentro de seu contexto histórico... Numa época em que cristãos eram minoria perseguida no Império Romano e estavam começando a desenvolver uma identidade religiosa própria distinta dos judeus — com a própria tese de que o Messias veio, era Jesus, e os judeus o rejeitaram. Acusar diretamente Roma pela morte de Jesus era politicamente perigoso. Entre os séculos II e IV d.C., ainda na época da Igreja Primitiva, essa narrativa transforma-se em prova de que os judeus perderam a aliança com Deus, principalmente num contexto de competição por novos adeptos... E essa ideia vai se consolidar até Constantino.

E aí, na Idade Média e além, essa narrativa de culpa coletiva vira base para antissemitismo em várias partes do continente europeu... E é o que vai justificar pogroms, perseguições, e até mesmo expulsões. Arte e sermões medievais constantemente apontam judeus como eternamente culpados, e era politicamente e teologicamente conveniente porque explicava o sofrimento judeu como parte de “castigo divino”.

Percebe que a ideia de que “os judeus mataram Jesus” como culpa coletiva é uma narrativa generalizante e simplificadora que foi construída com propósitos específicos? Quem matou Jesus foi a autoridade romana com colaboração pontual de autoridades judaicas colaboracionistas... Mas utilizar-se dessa narrativa atualmente não passa de ferramenta de antissemitismo.

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