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Calma, não foi a Coreia do Norte do Kim Jong-un... Foi a Coreia do Sul mesmo.

Nesse último mês de março, o parlamento da República da Coreia (popularmente conhecida como Coreia do Sul) esteve discutindo os limites entre religião, Estado e política. Há uma percepção comum de que a liberdade religiosa está sendo usada no país como forma de blindagem institucional, opacidade financeira, abuso de poder moral, e crimes fiscais... E que igreja não pode ser tratada como território sagrado acima das leis do país. E está em discussão no parlamento uma medida que permite o Estado dissolver instituições religiosas que estejam envolvidas em irregularidades e/ou atuação considerada contrária ao interesse público.

A Corte Constitucional sul-coreana já havia mantido válida a proibição de pastores usarem o púlpito como palanque eleitoral... E desde 2025 que lideranças religiosas do país estão respondendo criminalmente por interferência política e utilização de dinheiro ilícito. O que surpreende nisso tudo é que a Coreia do Sul, em contraste com a vizinha socialista, sempre foi considerada liberal, democrática, e militarmente e geopoliticamente alinhada aos EUA e Ocidente... Com 33% da população que se autodeclara cristã, sendo uma das maiores comunidades do continente asiático. E com população considerada majoritariamente conservadora, com o governo atual sendo de direita.

Os parlamentares que defendem essa medida argumentam que trata-se de um mecanismo legítimo de responsabilização institucional e de cobrar transparência de instituições religiosas. E acende um debate que nós, daqui do Brasil, já estamos familiarizados... Até que ponto instituições de fé podem ultrapassar o campo espiritual e penetrar a política pública de uma sociedade democrática? Como controlar e combater instituições que utilizam a fé enquanto instrumento de poder? O que acontece quando essas instituições mobilizam decisões eleitorais sem transparência e/ou debate público qualificado? E as denominações que levam a própria religião a sério e atuam em conformidade com a lei, estarão protegidas? Conceitos como “atuação considerada contrária aos interesses públicos” são vagas, arbitrárias e vulneráveis a abuso de poder e capturas ideológicas?

Como garantir que a fé permaneça no campo da liberdade individual, sem se transformar em instrumento de controle político coletivo?

Responda aí o que você acha.

6 Respostas

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atrás por (35,6K pontos)
Sou atéia, não acho religião importante pra ninguém, então ...
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Há pessoas que não pensam assim...

Há pessoas que acham que religião é tão importante que todo mundo tem que seguir a que ela acredita.
atrás por (35,6K pontos)
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Sei bem disso.
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atrás por (16,6K pontos)
Palmas para a Coreia!!!!

Que sirva de exemplo pro mundo todo!

A religião deve ficar lo lugar dela e não dentro do governo.

O Brasil não vai pra frente por causa disso. O cristianismo com essa fome incessante por dinheiro e poder a qualquer custo.

O oriente dando provas de ser uma civilização muito mais evoluída do que a ocidental.

Tomara que chegue por estas bandas de cá.
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atrás por (35,0K pontos)
Vamos ver se dá certo.

Aqui, prendemos o Edir e tivemos que soltar.
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atrás por (8,9K pontos)

E a perseguição a igreja continua crying

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editado atrás por

Vamos lá. Vai ficar um textão, mas eu não ligo.

Em primeiro lugar, vale observar que o governo atual da Coreia do Sul não é de direita ou conservador. O atual presidente, Lee Jae-myung, pertence ao Partido Democrático da Coreia (DPK), que é a principal força de centro-esquerda/liberal do país. O governo anterior (de Yoon Suk-yeol) era de direita, mas o atual governo de Lee Jae-myung tem adotado uma postura muito mais combativa contra o que chama de "conluio entre religião e política". A medida que você mencionou não vem de conservadores, mas de um governo progressista que foca no laicismo estrito.

Você também omitiu que o foco inicial dessa ofensiva não são as igrejas batistas ou católicas tradicionais, mas sim novos movimentos religiosos (muitas vezes chamados de "seitas" na Coreia), como a Igreja da Unificação e a Shincheonji. Essas denominações não apenas são heréticas como também estão envolvidas sim em crimes graves, e a Coreia do Sul não é o único país democrático que avalia bani-las por esse motivo.

O problema é que a lei, por ser escrita de forma vaga, acaba atingindo a liberdade de todas as denominações. Por esse motivo, a Federação de Igrejas Coreanas (protestante tradicional) está em pé de guerra contra o governo, alegando que o Estado está usando crimes de indivíduos para punir instituições inteiras. E a Coreia não está "dissolvendo as igrejas" como você de maneira sensacionalista escreveu na pergunta, mas está apenas discutindo um projeto de lei que abre esse precedente.

Uma coisa deve ficar clara nessa discussão: O que está ocorrendo na Coreia do Sul atropela o Artigo 18 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e também o Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Vou postá-los nos comentários.

A liberdade religiosa não é apenas o direito de "acreditar em silêncio", mas o de manifestar e ensinar a religião, tanto em público quanto em privado.

Podemos notar aqui também uma afronta ao Artigo 20 da Declaração Universal, que garante que "toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas". Ao permitir a dissolução estatal por critérios subjetivos do governo de turno, o Estado sul-coreano retira dos cidadãos o direito de se organizarem coletivamente em torno de suas crenças, tratando a religião como uma concessão estatal, e não como um direito humano inalienável.

No Brasil, em especial, tal medida seria impensável e flagrantemente inconstitucional. Nosso Artigo 19, I, da CF/88 é claro: é vedado ao Estado "embaraçar o funcionamento" de instituições religiosas. Laicidade não é laicismo: enquanto a laicidade brasileira, que é de um tipo colaborativo, inclusive, preza pela neutralidade e pelo respeito a todos os credos, o laicismo atua com uma intolerância que enxerga a religião como algo negativo a ser combatido. Como define o jurista Paulo Henrique Hachich de Cesare, o Estado laico "não é sinônimo de Estado antirreligioso", pois a laicidade é a neutralidade que se traduz em "respeito por todos os credos e inclusive pela ausência deles". Na prática, a separação entre Igreja e Estado serve para proteger a liberdade das instituições, e não para criar um Estado livre da influência dos cidadãos que professam uma fé.

Impedir que líderes religiosos ou fiéis participem do debate público como co-legisladores democráticos ignora que o poder emana do povo, e o povo é movido por seus valores morais. Como explicam os especialistas Thiago Vieira e Jean Regina, "a separação da Igreja/Estado não pode resultar na eliminação da influência religiosa no processo democrático". O próprio Supremo Tribunal Federal, em voto recente do Ministro Cristiano Zanin, reforça que o Brasil adota uma "laicidade colaborativa de interesse público".

Tratar a fé como um instrumento de controle a ser extirpado é abrir as portas para um controle de consciência que hoje atinge um grupo impopular, mas amanhã pode silenciar qualquer forma de pensamento livre.

atrás por (8,0K pontos)
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“Vale lembrar que os EUA (especialmente sob administrações republicanas) são os maiores defensores da liberdade religiosa global, então é estranho recorrer ao alinhamento com os americanos nesse caso.” — Sim, e é exatamente por isso que a pauta é tão surpreendente vindo da Coreia do Sul... Pelo menos para quem tem essa visão romantizada...
atrás por (20,0K pontos)
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E é justamente por isso que veículos como a Choque tem caído em tanto descrédito ultimamente.

Não é minha intenção ditar como você deveria publicar suas perguntas, mas existem maneiras de publicar uma informação relevante atual e propor um debate sem distorcer informações.

Eu como costumo usar uma abordagem do tipo: "Você viu o projeto de lei que está sendo discutido na Coreia?" ou "ficaram sabendo do projeto de lei a respeito de igrejas na Coreia?". São títulos que chamam a atenção por despertar a curiosidade, sem necessidade de sensacionalismo ou fake news.
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Existem mais informações, no mínimo, questionáveis, no seu texto, mas vou deixar para outra oportunidade. Paro por aqui dessa vez.
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Quando você fizer uma pergunta sobre o assunto, você pergunta desse jeito então.
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Claro que eu perguntarei assim.
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atrás por (86,8K pontos)
Complicado, hein...

Abração e até uma próxima.

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